terça-feira, 10 de agosto de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mario Quintana

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fernando Pessoa: Reflexões Paradoxais

Sentir é criar.

Sentir é pensar sem idéias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem idéias.

- Mas o que é sentir?

Ter opiniões é não sentir.

Todas as nossas opiniões são dos outros.

Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.

Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta pena comum [?]. Basta que sinta da mesma maneira.

O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma.

A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras do sentimento é proibido ser explícito.

Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda gente.


Fernando Pessoa
(1888-1935)



(de Obras em Prosa – O Eu Profundo, Ed. Nova Aguillar)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

31 de Janeiro

Estamos a chegar ao dia 31 de Janeiro...um dia importante para mim, e para o país.

Foi em 31 de Janeiro de 1891 que se deu o primeiro passo passo para a implantação da República em Portugal, através de uma revolta que teve lugar na cidade do Porto; registando-se um levantamento militar contra as cedências do Governo e Coroa ao ultimatum inglês por causa do Mapa cor-de-rosa, que pretendia ligar por terra Angola e Moçambique.

Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar o governo provisório da República, e hastear uma bandeira vermelho e verde. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.

Os revoltosos foram surpreendidos com uma carga de artilharia e fuzilaria da Guarda Municipal. Daqui resultaram algumas vitimas mortais.

Foram julgados alguns civis e 505 militares, tendo sido condenadas a penas de 18 meses e 15 anos de prisão mais de 200 pessoas.

Quando a República foi implantada em Portugal, a Rua de Santo António passou a chamar-se de Rua 31 de Janeiro em homenagem a esta revolta.


Alguns anos depois, em 1983, pelas 5h da madrugada, uma noite de tempestade... NASCI EU!!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

REGRESSO DE VALTER MARTINS AO DESPORTO MOTORIZADO

Valter Martins, jovem de 27 anos, ex-piloto de Enduro vai voltar à competição.
Tenciona participar no Campeonato Open de Ralis 2010 inserido no Troféu Fastbravo e em duas provas do Campeonato de Portugal de Ralis 2010, a decorrerem entre Janeiro e Novembro, ao volante de um Marbella, veículo que será adaptado para o efeito, uma vez que o piloto está paraplégico desde Janeiro de 2004. Nesta data o promissor piloto de Enduro, que tinha já alguns resultados relevantes na competição todo-o-terreno (como exemplo, no ano 2002 fez parte da Selecção Nacional de Enduro Júnior, e na prova da República Checa sagrou-se Vice – Campeão Mundial de Juniores), sofreu um acidente durante os treinos, do qual resultou uma lesão Vértebro – Medular D6 - D7, e desde essa altura desloca-se em cadeira de rodas.
Valter foi submetido a uma intervenção cirúrgica em 2005 para descompressão medular e limpeza de aderências envolventes (aracnoidectomia e laminectomia), em Lisboa, por um Neurocirurgião português bastante conceituado. Imediatamente no dia a seguir inicia treino de Fisioterapia para estimulação neuro-motora, com a equipa de fisioterapeutas que colabora com este médico, e que desde aí até á data o acompanham no seu dia – a – dia.
Desde 2009 que o Valter anda a preparar-se para voltar tendo consciência que tem um caminho a percorrer, sendo que o desafio, a sua vontade e determinação o impelem a todo um processo de aprendizagem, no intuito de alcançar o melhor resultado possível entre as várias provas disponíveis nos pisos asfalto e terra.
O gosto pela velocidade, a adrenalina da competição, a vontade de vencer e superar os limites do perigo são factores que impulsionam o seu regresso à competição, perseguindo o desejo de manter-se ligado ao mundo das corridas. Para o efeito, a escolha incidiu no Troféu Fastbravo por este ser considerado uma escola, uma forma de iniciação no desporto automóvel.
Este projecto tem como missão promover e apoiar o regresso do ex – piloto de Motos (Valter Martins), ao desporto motorizado. Desta forma, o piloto ambiciona fazer chegar a mensagem ao maior número de pessoas possível, de que apesar de estar “condicionado” a uma cadeira de rodas e de lhe não ser possível andar, é possível continuar a ter uma vida normal, não desistindo do seu sonho. Tal como o
Valter, existem várias pessoas com dificuldades motoras que no seu dia – a – dia enfrentam barreiras, quer sejam arquitectónicas, psicológicas ou de outro tipo. Essa dificuldade de locomoção não é de todo impeditiva para concretizar e perseguir objectivos, não as torna diminuídas ou incapazes para dar o seu contributo positivo para uma sociedade melhor, em que cada um tem o seu valor, e em que as diferenças podem ser valorizadas.
Para a concretização deste projecto o piloto Valter Martins conta com a colaboração da experiente co-piloto Inês Primaz, sua fisioterapeuta também, e de toda uma equipa de amigos e apoiantes que dão o seu contributo, de modo a que o objectivo a que ele se propõe possa ser cumprido.

CONTACTOS

Nome: Valter Leandro Domingos Martins
E-mail: valter.mart26@gmail.com FaceBook: valter.mart26@gmail.com

Nome: Maria Inês Ponte Primaz
E-mail: ponte.ines@gmail.com

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dependência do Governo

Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.

Eça de Queirós, in 'Cartas de Inglaterra'