segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

“Educação, Um Presente com Futuro”

Há dias li num placard municipal, em Ponte de Lima, “Educação, Um Presente com Futuro” e pensei, de facto pode ser um presente com futuro, mas não é tão linear quanto parece. Daí ter decidido fazer uma pequena abordagem a esta temática.
Apostar na educação, à partida deveria significar apostar no desenvolvimento económico-social de uma região e consequentemente do país.
Ao olharmos para o presente estado do nosso sistema educativo, torna-se curioso mencionar que Portugal foi provavelmente o 4º país do Mundo, a publicar em 1835 uma lei que estabelecia o princípio da escolaridade obrigatória. Lamentavelmente, continuamos a ter um elevado número de cidadãos sem saber ler e escrever.
Actualmente, assistimos a mudanças no sector educativo. A começar com a tão polémica avaliação dos professores, criação dos centros educativos, programa Novas Oportunidades, alterações dos programas educativos como por exemplo aprendizagem de inglês no ensino primário, acesso mais precoce às novas tecnologias, entre outras.
De todas as medidas, a mais reivindicada foi sem dúvida o novo sistema de avaliação de professores, por não considerar a mais relevante não vou comentar.
Também gerou alguma discussão a criação dos centros educativos porque fez com que se fechassem escolas aumentando o percurso casa escola de alguns alunos. Neste caso considero relevante referir que os inconvenientes gerados pelo encerramento de algumas escolas tornam-se insignificantes se olharmos para o incremento de qualidade associado.
O programa Novas Oportunidades, salvo raras excepções, não foi alvo de qualquer reivindicação. Concordo em parte com o programa. È importante dar oportunidade a quem por razões de vária ordem não pude continuar a sua formação. Também concordo que se torna imperativo criar condições que motivem os mais desinteressados a voltar à escola. O que não posso concordar é com o que se passa nestes programas. As aulas, onde era suposto ser dada instrução, é para contar a história da vida, fazer as contas das compras de fim-de-semana…isto é caricato. É urgente reestruturar os objectivos de aprendizagem deste programa. Não podem pensar somente em números.
Tudo gira em torno do nível de educação que se adquire.
É indispensável criar uma parceria entre as escolas e encarregados de educação onde além da instrução sejam incutidos valores e disciplina.
Temos tendência a culpar os Governos pelos problemas existentes na Nação. O problema principal não está no Governo, o Governo é só uma pequena parte. O principal problema de uma Nação reside nos seus cidadãos, mais objectivamente na sua falta de formação. Vejamos o quadro actual: Quantos cidadãos manejam esquemas para reduzir o valor dos impostos a pagar??? Quantos trabalham sem descontar para segurança social e consequentemente sem apresentar declaração de rendimentos??? Depois ainda temos o grupo que além de não pagar ainda recebe subsídio de inserção social ou de desemprego. E como estas situações tantas outras.
A aposta na educação torna-se cada vez mais urgente. É necessário apostar na instrução não só como aquisição de conhecimento mas como forma de mudar mentalidades e comportamentos. Os cidadãos têm que perceber que a mudança está em nós. Temos que engrandecer o conceito de CIDADANIA.
Contudo, sei que existe gente com formação, que frequentou as melhores escolas, as melhores Universidades sem qualquer tipo de princípio. È necessário incutir, também, o dever de fiscalização, que cada um deve desempenhar na sociedade. Todos nós temos conhecimento de situações fraudulentas que deviam ser denunciadas, mas não estamos para nos aborrecer, e depois a culpa é do Governo…é do Governo e Nossa.
Se apostarmos na educação de qualidade, educação no sentido de instrução, disciplina, valores, respeito, com toda a certeza que estaremos a fazer uma acertada aposta no futuro. Não acredito na perfeição, mas acredito que é possível fazer muito melhor.
Assim estaremos prontos a dizer sem reservas: “Educação, Um Presente com Futuro.”

Mónia Grácio

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